História Clínica

Paciente, sexo feminino, 49 anos.

Queixa principal: tontura há dois anos. 

História da moléstia atual: admitida com quadro de tontura do tipo vertigem episódica, há 2 anos. Refere que associado à vertigem apresenta cefaleia em região suboccipital contínua, de moderada intensidade. Nega aura, náuseas, vômitos, fonofobia e fotofobia. Além disso, queixa-se de dificuldade para deambular.

 

Ao exame:

Exame neurológico: pupilas isocóricas e fotorreagentes. Presença de nistagmo vertical na mirada vertical para baixo. Força muscular V/V, globalmente. Sensibilidade superficial e profunda preservadas. Apresenta Sinal de Romberg. Discreta dismetria nos membros superiores. Discreta ataxia de marcha.

Restante do exame físico sem alterações.

 

Pontos de Discussão

1- Quais os diagnósticos sindrômicos?

2- Qual diagnóstico mais provável?

 

              

Discussão

 

Questão 01

Síndrome cerebelar, síndrome vestibular e síndrome álgica.

Questão 02

Com base na Ressonância Magnética de crânio, corte sagital, ponderação em T1, ausência de contraste: nota ectopia caudal de amigdala cerebelar para nível de C2. Diagnóstico de Malformação de Chiari tipo 1.

As malformações de Chiari foram descritas em quatro tipos de anomalias. O tipo I é caracterizado por uma protrusão caudal das tonsilas cerebelares no canal espinhal cervical, raramente visualizada abaixo da vértebra C2. Geralmente são diagnosticados na vida adulta, pela dificuldade de diagnóstico clínico e por mimetizarem outras condições que a patologia cerebelar está envolvida.

Além disso, o paciente pode ter siringomielia associada ao quadro. A compressão do cerebelo acarreta ataxia e nistagmo, principalmente o nistagmo vertical, na mirada vertical para baixo, conhecido como “downbeating nystagmus”. Quando o tronco cerebral está envolvido pode ter cefaleia ou dor na nuca e alterações dos nervos cranianos baixos, causando paresia facial, nistagmo vertical, paralisia bulbar, atrofia ou fasciculações de língua e alteração da função respiratória. Os sinais vestibulares são decorrentes da disfunção da porção inferior do cerebelo e suas vias vestibulares (cerebelo-vestibular). O tratamento nessa situação, por apresentar sintomas progressivos, é cirúrgico, e consiste na descompressão da fossa posterior.

 

Liga Acadêmica de Neurocirurgia da Bahia (LANC)