A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos e sistemas.

Aproximadamente 1/3 da população mundial é infectada pelo M. tuberculosis, e a maioria desses indivíduos têm tuberculose latente.

Em 2011 foi levantada uma estimativa que de 8,7 milhões de casos de TB, 13% estavam associados com HIV e 500 milhões de casos novos de TB com 64 mil mortes ao ano secundárias à tuberculose.

O Brasil e mais 21 outros países em desenvolvimento abrigam 80% dos casos da doença. Apesar da tendência de queda da incidência e da mortalidade por tuberculose no Brasil, são mais de 70 mil casos novos e o número de óbitos por tuberculose ultrapassa o número de 4,5 mil a cada ano.

Etiopatogenia da Tuberculose

A tuberculose é uma doença pulmonar crônica e sistêmica grave, causada mais frequentemente pelo M. tuberculosis. As fontes de transmissão são os seres humanos com tuberculose ativa, que liberam micobactérias presentes no escarro.

A primoinfecção é definida pelo primeiro contato do paciente com o Bacilo de Koch, cursa em etapas, da infecção inicial dos macrófagos até uma resposta subsequente de TH1, contendo bactérias e causando danos teciduais.

FASE 1 da Tuberculose (sem imunidade celular)

Ao chegar pela 1ª vez nos alvéolos, o bacilo de Koch é fagocitado por macrófagos locais, e ocorre uma intensa reação inflamatória local. Esses fagócitos são incapazes de destruir ou inativar os bacilos, que então se multiplicam em seu interior. Os bacilos proliferam-se e destroem os macrófagos, caindo nos espaços alveolares. Estes são novamente fagocitados, formando um ciclo vicioso e atingem linfonodos, onde continuam se proliferando, até atingirem a corrente sanguínea.

FASE 2 da Tuberculose (imunidade celular específica)

Após três a oito semanas, a imunidade celular já está desenvolvida e o organismo começa a reagir contra os bacilos, combatendo a disseminação hematogênica. Assim, os linfócitos T-helper específicos são capazes de se proliferar e ativar os macrófagos.

A junção dos linfócitos e os macrófagos ativados (células epitelioides) ao redor do processo, resultam no granuloma caseoso. A fusão de vários macrófagos infectados pode formar as células gigantes de Langherans.

Este foco granulomatoso pulmonar inicial é chamado foco primário ou nódulo de Ghon.

A evolução da infecção em uma pessoa imunocompetente não previamente exposta depende da capacidade de controlar a resposta do hospedeiro às bactérias e também resultam no desenvolvimento de lesões patológicas, como granulomas caseosos e cavitação.

A tuberculose secundária é o padrão da doença que surge em um hospedeiro previamente sensibilizado, podendo seguir logo após a tuberculose primária.

É mais frequente após muitos anos, provavelmente quando a resistência do hospedeiro está enfraquecida. A tuberculose pulmonar secundária classicamente envolve o ápice dos lobos superiores de um ou ambos os pulmões.

A tuberculose secundária deriva da reativação de uma infecção latente, mas também pode resultar de uma reinfecção exógena, no caso de uma redução da imunidade do hospedeiro, ou quando um grande inóculo de bacilos virulentos sobrecarrega o sistema imune do hospedeiro.

Sinais e sintomas

Na maioria das pessoas saudáveis, a tuberculose primária é assintomática, apesar de poder causar febre e derrame pleural.

Geralmente, a única evidência da infecção, se alguma permanecer, é um nódulo pulmonar fibrocalcificado no local da infecção. Organismos viáveis podem permanecer dormentes por décadas em tais lesões. Se as defesas imunes forem diminuídas, a infecção pode ser reativada, causando uma doença transmissível e potencialmente com risco de morte.

Considerando a possibilidade de disseminação linfática e hematogênica e que a doença possa ocorrer em outros locais que não o pulmão, a tuberculose pode ser classificada em:

  • Primária (pulmonar): apresentando tosse persistente produtiva (muco e eventualmente sangue) ou não, febre baixa vespertina, sudorese noturna e emagrecimento.  No exame físico, pode ser encontrado também linfadenomegalias, às vezes relacionadas tanto à presença de tuberculose extrapulmonar concomitante, quanto à existência de coinfecção pelo HIV.
  • Extrapulmonar: A tuberculose extrapulmonar tem sinais e sintomas dependentes dos órgãos e/ou sistemas acometidos. As principais formas diagnosticadas de tuberculose extrapulmonar no Brasil são pleural e/ou empiema pleural tuberculoso, ganglionar periférica, meningoencefálica, miliar, laríngea, pericárdica, óssea, renal, ocular e peritoneal.

Aumenta em pessoas que vivem com HIV/aids (PVHA), especialmente entre aqueles com imunocomprometimento grave.

Referências bibliográficas

  1. Ministério da Saúde. Guia de vigilância em saúde volume único. Secretaria de vigilância em saúde, 2 ed. – Brasília, 2017.
  2. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Departamento de Vigilância Epidemiológica. Tratamento diretamente observado (TDO) da tuberculose na atenção básica: protocolo de enfermagem. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011.
  3. Kumar V, Abbas A, Aster J. Robbins. Bases patológicas das doenças. 9th ed. Elsevier, 2016.